E quando ela dizia que odiava as pessoas, elas riam, talvez, pensassem que ela estava brincando. Mal eles sabiam, que era nas brincadeiras, no seu sarcasmo cotidiano que ela dizia tudo que sentia e pensava.
Mas é que… É tão bom olhar para o lado e ver alguém. Mais do que isso até. Ver que alguém se preocupa com você, se preocupa se você está bem, se comeu, se dormiu direito, o que vai fazer a tarde, ou simplesmente alguém que te escute. É que, às vezes, não é necessário nada mais que isso.
Pego uma criança pequenina no colo, fito seus olhos tão frágeis e carecidos de amor e me reergo. Suas mãos miudinhas ainda não são capazes de sustentar nada e seu único choro é por não estar no colo da mãe. Sua alma é grande, tão grande, que não cabe em seu corpinho e escorre através dos olhos! Quanta coisa essa criança foi capaz de me ensinar: Amor incondicional, paciência, sorrisos. É incrível, ela nem fala e já me ensinou tanto! Vejo-a olhando para sua mãe, que corre para lá e para cá, cuidando de seus afazeres e de novo, sinto sua alma escorrendo pelos olhos. Demoro a perceber o quão frágil ela é. Carece de olhos a sua volta em todo instante, carece de mãos afagando-lhe e braços rodeando-lhe. Mal sabe a menina cuja alma é grandiosa, que o mundo não é dentro do colo de sua mãe, que existem maldades e que ela ainda há de chorar muito. Mal sabe a minha menininha que um dia ela terá de andar com a força de seus próprios pés e que muito irá cair. Mal sabe a minha menininha, que mesmo tendo muito que viver, seus olhos de criança hoje me ensinaram a amar.
— Raihsa Ribeiro, seus olhos brilharam e eu sorri, criança. (via outubros)